Reencontro emociona UTI Neonatal do Hospital Municipal
A pequena Mariana ao lado da tia Lilian e da irmã Maria Clara, durante visita à UTI Neonatal do Hospital Municipal – Foto: PMSJC.
Nos braços da tia, ela voltou diferente. Já não estava em uma incubadora, ligada a aparelhos e cercada por fios. No corredor que leva à UTI Neonatal do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, a pequena Mariana Vitória Rosa, de 1 ano e 10 meses, voltou ao lugar onde sua vida começou cercada de incertezas — e de amor.
A recepção foi feita com abraços apertados, olhos marejados e sorrisos que misturavam surpresa e gratidão. Para a equipe multiprofissional da UTI Neonatal, rever Mariana, ainda que com limitações, foi a confirmação de que cada plantão, cada oração silenciosa e cada gesto de cuidado valeram a pena.
A história da menina é marcada por capítulos intensos de dor e superação.
Superação e cuidados
Mariana nasceu em abril de 2024, com apenas 26 semanas de gestação. Enquanto ainda a carregava no ventre, sua mãe, Marcela Rodrigues Rosa, enfrentava um câncer agressivo. Os sintomas da doença se confundiram com os da gravidez e, quando o quadro se agravou, foi necessária uma cesariana de urgência para salvar a bebê. Marcela não resistiu, mas sua filha lutou.
Muito pequena e extremamente frágil, Mariana foi levada imediatamente para a UTI Neonatal. Foram três meses de internação. Três meses de aparelhos, incertezas e fé. Ela ficou intubada, sofreu hemorragia cerebral, teve uma parada cardíaca. Cada intercorrência parecia um novo obstáculo em um caminho já tão difícil. Ainda assim, resistiu.
Como sequela, ficou com paralisia cerebral. Mas, para a família, isso nunca foi o fim da história — apenas uma nova etapa.
Durante toda a internação, a equipe multiprofissional da Neonatal se desdobrou em cuidados. E a presença da família foi fundamental no tratamento. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais profissionais reconhecem que o vínculo afetivo fortalece o bebê e contribui diretamente para a recuperação.
No caso de Mariana, o pai, as irmãs Maria Clara, de 6 anos, e Ana Beatriz, de 13, os avós e os tios estiveram presentes em cada etapa, acompanhando orientações, participando dos cuidados sempre que possível e oferecendo aquilo que nenhum equipamento pode substituir: afeto, voz conhecida e esperança. Mariana faz acompanhamento no Lucy Montoro e na unidade de reabilitação | Foto: Divulgação. E foi justamente a tia Lilian Amaral Tozadori quem decidiu mudar completamente a própria vida para se dedicar à sobrinha.
Ela deixou o trabalho e passou a viver em função de Mariana. Conta com o apoio constante do marido e do pai da menina, que trabalha para garantir o sustento da casa. “Ela é um milagre de Deus. Eu não me importo de viver para ela”, afirma.
Hoje, Mariana faz acompanhamento no Centro de Reabilitação Lucy Montoro e também na unidade de reabilitação da Prefeitura, no bairro Monte Castelo. A evolução surpreende. A previsão inicial era de que talvez nunca conseguisse andar. Agora, já ensaia os primeiros passos. Talvez, no futuro, caminhe com o auxílio de um andador. Talvez até sozinha.
“Ela entende tudo. Interage, demonstra o que sente. Do jeito dela, ela se comunica. E isso já é uma vitória enorme”, diz a tia.
Equipe multidisciplinar da UTI Neonatal, que se desdobrou nos cuidados com a bebê | Foto: Divulgação.
Grupo Laços
Na última sexta-feira (27), Lilian também participou do Grupo Laços, encontro semanal que reúne pais e mães de bebês internados na UTI Neonatal. Ali, entre histórias que ainda estão sendo escritas, Lilian compartilhou o capítulo de esperança da família. Falou sobre o medo, sobre as noites insones, sobre a dor da perda — e sobre a força que nasce quando se acredita.
Após o encontro, Mariana foi levada ao espaço onde um dia lutou para respirar. Profissionais que acompanharam cada boletim médico agora a viam sorrir. Houve abraços demorados, lágrimas contidas e uma certeza silenciosa: algumas histórias não terminam na UTI. Elas começam ali.
A visita não foi apenas um gesto de gratidão. Foi um testemunho vivo de que, mesmo quando tudo parece improvável, a vida encontra caminhos. E que, quando ciência, dedicação e amor caminham juntos, o impossível pode se transformar em esperança.