Guia nacional orienta ações e fortalece triagem auditiva no HM
O Teste da Orelhinha é feito em 100% dos bebês que nascem no Hospital Municipal: rápido e indolor – Foto: PMSJC.
Referência regional em assistência materno-infantil, o Hospital Municipal de São José dos Campos, unidade da Prefeitura de São José dos Campos gerenciada pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), conta agora com um importante reforço para a qualificação do cuidado aos recém-nascidos: o Guia para realização da Triagem Auditiva Neonatal (TAN) e seguimento assistencial, publicado pelo Ministério da Saúde inicialmente em 2012 e atualizado no final de 2025.
O documento atualiza protocolos e fluxos que norteiam as ações das equipes assistenciais, garantindo mais segurança, padronização e agilidade na identificação precoce de possíveis alterações auditivas.
A importância do guia se reflete diretamente nos números da Maternidade do Hospital Municipal, a maior do Vale do Paraíba 100% SUS. Em 2025, a unidade registrou 4.792 nascimentos, com 100% dos bebês submetidos ao Teste da Orelhinha, exame obrigatório no Brasil e fundamental para a saúde auditiva infantil.
Do total de recém-nascidos avaliados, 31 crianças apresentaram alteração nos exames, com possibilidade de deficiência auditiva, e foram devidamente encaminhadas para acompanhamento especializado.
De acordo com o protocolo preconizado pelo Ministério da Saúde e adotado pelo Hospital Municipal, todos os bebês com resultados alterados são encaminhados para avaliação com especialistas, como otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos, assegurando diagnóstico e tratamento na rede municipal de saúde. Essa integração entre maternidade, atenção especializada e rede assistencial é um dos pilares destacados no novo guia nacional.
Rápido e indolor
O Teste da Orelhinha é um exame rápido, indolor e seguro, realizado ainda nos primeiros dias de vida do bebê. “É um procedimento importante para garantir que qualquer deficiência auditiva seja detectada e tratada o mais cedo possível. Qualquer problema de audição pode ter um impacto significativo no desenvolvimento da fala, da linguagem e do aprendizado da criança”, explica a fonoaudióloga do Hospital Municipal, Carolina Arantes.
Segundo a profissional, o exame consiste na colocação de um pequeno fone no ouvido do recém-nascido, que emite sons de fraca intensidade. O equipamento capta as respostas da cóclea, estrutura localizada na parte interna do ouvido. “O teste dura, em média, 10 minutos, é feito enquanto o bebê está dormindo naturalmente ou em estado de relaxamento e não causa nenhum desconforto”, destaca Carolina.
Quando o Teste da Orelhinha apresenta alguma falha, o bebê passa por uma nova triagem com o exame emissões otoacústicas e potencial auditivo de tronco encefálico. Caso a alteração persista, é realizado o BERA diagnóstico, um exame mais completo, que permite maior precisão na confirmação ou exclusão da deficiência auditiva.
“A intervenção deve ser iniciada precocemente, geralmente antes dos seis meses de idade, o que é crucial para o desenvolvimento infantil”, reforça a fonoaudióloga.
O diagnóstico e o início do tratamento em tempo oportuno aumentam significativamente as chances de desenvolvimento adequado da audição e da linguagem.
As alterações nos exames são mais frequentes em bebês que apresentam fatores de risco, como filhos de gestantes que tiveram infecções durante a gravidez, recém-nascidos prematuros que permaneceram mais de cinco dias na UTI Neonatal, complicações no parto, casos de consanguinidade entre os pais, história de surdez congênita na família, entre outras condições clínicas.
Ainda assim, o acompanhamento é essencial mesmo quando o teste inicial é normal. “Os sintomas de deficiência auditiva podem surgir até os três anos de idade, por isso o seguimento é fundamental”, explica Carolina.
Ao incorporar as diretrizes do novo guia do Ministério da Saúde, o Hospital Municipal demonstra seu compromisso com a atenção integral, humanizada e baseada em evidências, garantindo que todos os recém-nascidos tenham acesso à triagem auditiva e ao acompanhamento adequado.