KIKA DE CASTRO: VIVER EFICIENTE!

 

Kika de Castro: Quando o propósito encontra pessoas

 

 

Em um tempo em que quase tudo disputa atenção por alguns segundos, existem pessoas que permanecem. Não apenas pela imagem que constroem, mas pelo impacto silencioso que deixam na vida de outras pessoas. Kica de Castro pertence a essa categoria.

Sua trajetória mistura comunicação, sensibilidade e propósito de uma maneira rara. Publicitária, fotógrafa, produtora de televisão, palestrante e Comendadora Cultural, Kica construiu uma carreira que vai além do reconhecimento profissional. Seu trabalho ajudou a ampliar espaços, provocar novos olhares e humanizar debates importantes sobre inclusão e representatividade no Brasil.

Mas sua história começou muito antes dos aplausos.

Começou na disciplina silenciosa de quem precisou acreditar em ideias que ainda pareciam distantes da realidade. Começou no trabalho diário, na observação humana e na coragem de seguir um caminho pouco explorado em uma época em que a inclusão ainda era tratada de forma limitada pela sociedade e pelo mercado.

Em 2007, Kica criou uma agência de modelos voltada para profissionais com deficiência. Naquele momento, a iniciativa parecia ousada para um país acostumado a enxergar apenas um padrão de beleza, comportamento e capacidade. Enquanto parte da publicidade ainda reproduzia imagens previsíveis, ela escolheu revelar aquilo que permanecia invisível.

Sua câmera passou a registrar mais do que rostos. Passou a revelar identidade, pertencimento e dignidade.

O que começou como um movimento de comunicação também se transformou em mudança cultural. Empresas passaram a rever campanhas, marcas ampliaram discussões sobre diversidade e novos profissionais encontraram espaço para existir com naturalidade diante das câmeras e da sociedade.

Anos depois, em 2015, essa mesma visão ganhou força na televisão com o programa “Viver Eficiente”. Com uma linguagem acessível, humana e próxima do público, Kica levou para a TV histórias que raramente ocupavam espaço com profundidade na mídia tradicional.

Sem transformar inclusão em espetáculo, o programa aproximou o público de temas como acessibilidade, autonomia, mercado de trabalho, autoestima e convivência. Mais do que informar, criou identificação.

Talvez esse seja um dos traços mais marcantes de sua comunicação: a capacidade de tocar assuntos complexos sem perder delicadeza. Kica nunca falou apenas sobre deficiência. Sempre falou sobre pessoas.

Em uma era marcada pela velocidade das redes sociais, sua trajetória segue na direção oposta da superficialidade. Existe verdade em sua comunicação. Existe escuta e presença humana.

Hoje reconhecida nacional e internacionalmente, Kica de Castro se consolidou como uma referência em comunicação inclusiva e transformação social. Sua história já foi retratada em revistas, programas e diferentes publicações, sempre associada à ideia de que inclusão não deve ser vista como tendência, mas como consciência coletiva.

Existe também um aspecto discreto que atravessa toda sua caminhada: a fé.

Uma espiritualidade silenciosa, construída nos valores familiares e fortalecida ao longo da vida, que ajuda a orientar suas escolhas e sua maneira de enxergar o outro com respeito e sensibilidade.

No final deste ano, Kica integrará o livro “Mulheres Desbravadoras”, ao lado de outras 11 mulheres. Na obra, compartilhará sua entrada no universo da inclusão da pessoa com deficiência e como transformou a comunicação em ferramenta de impacto humano e social.

Porque algumas trajetórias não se resumem ao sucesso. Elas permanecem na cultura, nas pessoas que inspiram e na forma como ajudam uma sociedade inteira a aprender novos modos de olhar, sentir e incluir.

 

Edição: Roberto Matias

Texto: Luis Marcelo Humberto dos Santos Carvalho

Foto: Olhar digital de Bruno Mancuso 

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