Serviço de Acolhimento Integrado reconstrói vidas e famílias
Todos os dias, os acolhidos no SAI participam de diversas atividades que propiciam a reconstrução de seus projetos de vida – Foto: Claudio Vieira/PMSJC.
Muito mais do que uma sigla, o SAI representa a esperança de um futuro melhor com a reconstrução de histórias de vida e laços familiares com dignidade, cidadania e autoestima.
O Serviço de Acolhimento Integrado, abrigo diferenciado mantido pela Prefeitura de São José dos Campos no Torrão de Ouro, na região sul, tem sido fundamental para a recuperação completa dos 30 homens ali acolhidos após anos vivendo nas ruas da cidade.
O equipamento público oferece acolhimento humanizado com completa infraestrutura e equipe multidisciplinar formada por assistentes sociais, psicólogos e cuidadores, entre outros profissionais. Tudo é pensado para ajudá-los em todas as suas necessidades. Os cuidados incluem canil e gatil para que possam estar com seus pets.
O SAI promove o fortalecimento de vínculos interpessoais por meio de atividades de convivência, escuta ativa e construção coletiva, oferecendo espaços educativos e reflexivos para construção de projetos de vida e tomada de decisões conscientes.
Oficinas e oportunidades
O serviço oferece oficinas de empregabilidade e educação financeira, parceria com o PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) para inserção no mercado de trabalho e cursos profissionalizantes, sala de informática, reforço das redes de apoio externas (Centros de Referência de Assistência Social e Centros de Atenção Psicossocial), incentivo à conclusão da escolaridade por meio da EJA (Educação de Jovens e Adultos), visitas domiciliares e mediação para reinserção familiar.
Cuidados constantes e boa infraestrutura garantem qualidade de vida | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC.
São José Social
O SAI é um dos principais serviços disponibilizados pela Prefeitura para pessoas em situação de rua através do programa São José Social, que integra o Plano de Gestão 2025-2028. Saiba maisaqui.
Além deste abrigo, a Administração mantém outras cinco unidades para este público. Saiba maisaqui sobre o trabalho da Prefeitura para pessoas em situação de rua, incluindo as rondas 24 horas e vídeo sobre o SAI.
Desde que foi implantado em setembro do ano passado, o SAI já acolheu 148 homens com resultados expressivos: 71 foram inscritos no ensino médio ou realizaram cursos, 8 foram inseridos no mercado de trabalho, 48 recebem auxílio moradia, 38 deixaram a unidade após reconquistarem autonomia e 56 restabeleceram vínculos familiares.
Mais do que números, são histórias de superação inspiradoras que servem de exemplo para todos nós. Conheça algumas delas.
R.L.O. concluirá o curso de economia em janeiro de 2027 | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC.
Vida restaurada
Abrigado no SAI desde 12 de novembro do ano passado, R.L.O., de 39 anos, já morou um mês nas ruas, onde muitas vezes não tinha nem o que comer.
Em 2020, com o início da pandemia da covid-19, viu seu mundo ruir: perdeu o emprego de coordenador financeiro de uma empresa, rompeu os vínculos com a família e enfrentou problemas de saúde. Como ele mesmo classifica, sua vida passou por descaminhos.
Após deixar as ruas, foi acolhido em abrigos da Prefeitura, onde recebeu ajuda e cuidados especiais. Mas sua vida deu uma guinada quando chegou ao SAI: após 11 anos, retomou o curso de economia e concluirá o ensino superior em janeiro do ano que vem.
Uma grande vitória, mais significativa ainda por superar diariamente seus próprios limites: R.L.O. tem autismo e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).
Os planos para o futuro? Voltar a trabalhar na sua área, restabelecer os vínculos com a mãe e a irmã e ir morar na Irlanda do Norte.
“Com a ajuda da Prefeitura, que agradeço todos os dias, hoje me sinto um cidadão novamente e recuperei minha dignidade. No SAI, fui desafiado a mudar minhas formas de agir e pensar”, disse R.L.O.
“Não vou perder esta oportunidade que a Prefeitura me deu de reconstruir minha vida. Quando me reencontrar com minha mãe e com minha irmã, quero estar formado e com emprego, renda, casa e saúde física e emocional”, completou o futuro economista.
C.S. cuidando da horta. Ele quer voltar a cuidar da família | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC.
Alavanca
C.S., de 55 anos, faz questão de contar os dias que está acolhido no SAI: dois meses e dois dias. E, mais ainda, o tempo de abstinência: seis meses sem cheirar cocaína e consumir álcool, dois vícios que o levaram ao fundo do poço e às ruas, onde viveu durante 25 longos anos.
Toda segunda-feira, ele vai ao Centro de Atenção Psicossocial, onde recebe ajuda especializada dos profissionais de saúde mental da Prefeitura para não voltar a ser dependênte químico.
Tanta força de vontade já deu seus frutos: C.S. é um dos orgulhos do SAI, onde é o responsável pela horta, auxiliando seus colegas a terem uma dieta balanceada e saudável.
E ele tem conhecimento de sobra sobre o assunto. Antes de ir morar nas ruas, foi um dos cozinheiros da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) durante quatro anos.
Na nova vida, quer volta a ser cozinheiro. Dedicado e polivalente, não rejeita trabalho: também é pintor e eletricista. Outro plano imediato é retomar os estudos, interrompidos há muitos anos. Parou no segundo ano do ensino fundamental.
“A Prefeitura me deu a oportunidade que eu precisava para me reerguer. É uma grande mão e uma alavanca para um futuro melhor. Quero continuar sem drogas e álcool, voltar a trabalhar como cozinheiro e retomar os estudos”.
E não para por aí: quer reencontrar a filha, que não vê há sete anos, e a irmã, com quem não convive há dois anos.
“Mas, antes de procurá-las, tenho que cuidar bem de mim. Totalmente recuperado, poderei cuidar delas”.
R.F.C. voltará a trabalhar na construção civil nesta segunda (18) | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC.
Sonhos realizados
R.F.C., de 52 anos, chegou ao SAI no último dia 2 de abril para reconstrução de sua vida após morar cinco anos nas ruas.
Nestes pouco mais de um mês, já conquistou uma grande vitória: o restabelecimento dos vínculos com a mãe de 89 anos, que não via há três anos. O encontro mais recente foi na última sexta-feira (8). quando também aproveitou para rever a irmã.
O próximo passo? Retomar a convivência com o filho, cuja separação já completou cinco anos.
“Comecei a beber aos 13 anos. O álcool me separou da minha família e me levou a morar durante cinco anos nas ruas. Mas já restabeleci os laços com minha mãe e com a minha irmã. Quero voltar a conviver também com meus outros quatro irmãos e com meu filho”.
Dos três sonhos que tinha ao passar a morar no SAI, já realizou um. E o próximo tem data para ser concretizado: na próxima segunda (18), voltará a trabalhar como ajudante geral. O novo emprego será na construção de uma casa no centro.
E ainda neste ano pretende voltar às salas de aula. Vai fazer o EJA para concluir os estudos interrompidos no segundo ano fundamental.
“Depois de concluir o EJA, quero fazer faculdade de logística. Quem sabe não faço também engenharia civil? O SAI e a Prefeitura estão me ajudando a realizar meus sonhos”, afirmou R.F.C.
“Não tenho como recuperar o passado. Mas estou construindo um bom presente e tenho a esperança de ter um ótimo futuro”, completou.
E construção é com ele mesmo: não só de casas mas, principalmente, de sonhos, projetos de vida e esperança de dias melhores.
O artesão E.S. quer retomar a convivência com os filhos | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC.
Presentes
E.S. é mais um vencedor que ocupa as fileiras de homens corajosos do SAI. Prestes a completar 64 anos no próximo dia 17 de junho, já ganhou seus presentes de aniversário.
Ao chegar ao SAI no último dia 11 de fevereiro, após mais de 20 anos morando nas ruas, estava com depressão, dor na coluna e com barba e cabelo grandes.
Em três meses, mudou a aparência física, venceu a depressão e não sente mais dores na coluna. E já visitou a irmã e duas sobrinhas, que não via há um ano.
Nos planos para o futuro, estão reencontrar o filho e a filha, que moram em Minas Gerais e com quem não convive há longos 30 anos.
“Quero voltar a trabalhar como artesão e retomar a convivência com meus filhos. Aqui no SAI, retomei minha autonomia e tenho uma vida muito melhor”, disse E.S.
“Hoje, moro em um lar com pessoas que me ajudam a realizar meus sonhos e me dão esperança de um futuro melhor. A rua não é lugar para ninguém”.
A árvore pintada na parede é um lembrete do que importa na vida | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC.
Felicidade
Em uma das paredes do SAI está pintada uma árvore em que os galhos são palavras que exprimem sentimentos e valores fundamentais para todo ser humano: vida, doce lar, filhos, pai, mãe, amigos, amor, sorte, casa, família, relacionamentos, sorrisos e paz. E uma das palavras resume tudo: feliz.
Como sabem os 30 acolhidos no SAI e nos outros quatro abrigos mantidos pela Prefeitura, na rua não há sonhos. Mas com ajuda, cuidados constantes, força de vontade e superação dos próximos limites, hoje eles são felizes e têm a oportunidade de restaurar vidas, laços familiares e sonhos.