Voltar com leveza não significa abandonar o que foi construído, mas mudar a forma de carregar!
Hoje eu tenho 56 anos e já conquistei tudo que sonhei. Sonhei ter filhos, uma família, uma profissão, uma casa própria, um carro próprio e muitas, muitas outras coisas que não se coloca no papel. Mas agora pensando que eu achava que ia chegar em algum momento da minha vida, ia bastar. Não, não basta. Conquistei o meu próprio cume, e é de lá de cima que a gente enxerga a necessidade do regresso. O caminho de volta é voltar com mais leveza, é voltar abraçando os amigos, é voltar com uma empresa trabalhando mais leve, é voltar sabendo que um dia vai acabar, mas com uma alegria no coração, com uma saúde mais afinada e cuidando de pessoas.
O caminho de ida foi sobre erguer paredes, somar conquistas, provar para o mundo e para mim mesma do que eu era capaz. Olhando para trás, vejo que a minha vida sempre teve um propósito, guiando cada passo e cada escolha, mesmo nos dias em que o horizonte parecia incerto. Valia a pena cada esforço, porque havia uma linha de chegada a alcançar. Mas o caminho de volta não é sobre ter mais; é sobre ser mais. É o caminhar descalço, sem a pressa dos ponteiros, aproveitando a paisagem que antes passava correndo pela janela.
Voltar com leveza não significa abandonar o que foi construído, mas mudar a forma de carregar. A empresa deixa de ser apenas um motor de metas para se tornar um espaço de encontros, impacto e acolhimento. As conquistas materiais continuam ali, mas perdem a urgência e dão lugar à riqueza das conversas sem pressa, dos abraços apertados, da presença inteira.
Saber que o tempo é finito não me assusta; pelo contrário, é o que dá sabor ao momento presente. A saúde vira prioridade, o afeto vira compromisso diário e o ato de cuidar dos outros passa a ser a minha forma mais sincera de gratidão por tudo o que recebi.
Se o caminho de ida foi a construção da minha história, o caminho de volta é a celebração dela. E, no fim das contas, descobri que o destino nunca foi um lugar onde se chega para parar — é a própria beleza de continuar caminhando, renovando o propósito a cada novo dia, com o coração em paz e a alma leve.
Faça uma reflexão, como você está fazendo seu caminho hoje para sua chegada ao seu cume. Você voltaria com leveza?
*Valéria de Paula é empresária, escritora, palestrante, graduada em administração de empresas, pós-graduada em estratégias de negócios, diretora da fábrica de gêneros alimentícios “Salgados Grandes” e loja de artesanato “Coisas da Val” em São José dos Campos e cooperadora de vários projetos sociais da região.


