O Brasil no PISA 2025: a estabilidade que esconde um avanço silencioso e uma desigualdade gritante
Entre a estagnação de curto prazo e a recuperação histórica, os resultados divulgados pela OCDE expõem o maior desafio da educação brasileira: a distância entre ricos e pobres
Na manhã do dia 8 de setembro, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2025. Aplicada em 91 países e territórios a mais de 760 mil estudantes de 15 anos, sendo cerca de 30 mil brasileiros, a prova é considerada o principal termômetro da educação básica no mundo. O diagnóstico para o Brasil é paradoxal: estagnado no triênio, mas em trajetória de aproximação histórica com os países desenvolvidos.
Um país estável, abaixo da média
Em números absolutos, o Brasil manteve o mesmo patamar de 2022. Os estudantes obtiveram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Para comparação, a média dos países da OCDE ficou em 466 pontos em leitura, 469 em matemática e 486 em ciências. Considerando que a própria OCDE calcula que cada 20 pontos equivalem a um ano de escolaridade, o déficit brasileiro em matemática chega a 4,6 anos de atraso.
O resultado coloca o país nas posições 52ª em leitura, 71ª em matemática e 67ª em ciências, ainda distante do grupo das 30 maiores economias. A análise da série histórica, contudo, muda a perspectiva.
O avanço de duas décadas
Quando o recorte é ampliado para o período 2006-2025, o Brasil surge como um dos dez países que mais avançaram no mundo: 7º lugar em leitura e matemática e 8º em ciências.
A distância para a média da OCDE, que já foi de 102 pontos em leitura, caiu para 58. Em matemática, de 131 para 92 pontos. Em ciências, de 113 para 77 pontos. Foi uma redução de 44, 39 e 36 pontos, respectivamente. Além disso, no recorte pós-pandemia, o país se saiu melhor que a média da OCDE: recuperou o desempenho em ciências e perdeu menos em leitura e matemática, indicando maior resiliência do sistema durante o fechamento das escolas.
É um avanço silencioso, mas real. Como observou o relatório, a educação brasileira segue com desempenho muito inferior ao de países desenvolvidos, mas a diferença caiu ao longo das últimas duas décadas.


