Fast Track reduz até 39% a espera no Pronto-Socorro do HM
Com o Fast Track, tempo total de permanência dos pacientes no pronto-socorro apresentou melhora significativa – Foto: PMSJC.
O Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, registra resultados expressivos após cinco meses da implantação do modelo Fast Track no Pronto-Socorro Adulto.
Adotada em fevereiro deste ano, a estratégia reorganizou o fluxo de atendimento do setor, separando de forma mais eficiente os pacientes com quadros de menor gravidade daqueles que necessitam de atendimento urgente ou muito urgente.
Antes da mudança, praticamente todos os pacientes percorriam o mesmo fluxo dentro do pronto-socorro, independentemente da complexidade do caso.
Com a implantação do Fast Track, o hospital passou a contar com áreas específicas para cada etapa da jornada do paciente, incluindo salas de espera separadas para recepção, classificação de risco e atendimento médico, além de espaços exclusivos para reavaliação médica e para pacientes que aguardam exames, como ultrassonografia e tomografia.
A principal inovação foi a criação de um fluxo exclusivo para pacientes classificados como pouco urgentes e não urgentes, permitindo um atendimento mais rápido, seguro e resolutivo para os casos simples, sem comprometer o cuidado aos pacientes mais graves.
Melhor resolutividade
Os números demonstram o impacto positivo da iniciativa. Considerando um recorte comparativo entre janeiro a junho de 2025 e 2026, o pronto-socorro registrou crescimento de 4,1% no volume de atendimentos, passando de 44.386 para 46.225 pacientes. Ao todo, foram realizados 69.388 atendimentos, dos quais mais de 60% corresponderam a pacientes classificados como verde e azul, exatamente o público-alvo do Fast Track.
Entre os principais resultados observados está a redução do tempo entre a classificação de risco e o primeiro atendimento médico. Para os pacientes classificados como verde (pouco urgente), o tempo médio caiu de 66 para 45 minutos, uma redução de 32%. Já para os pacientes classificados como azul (não urgente), a queda foi ainda maior, passando de 109 para 66 minutos, o que representa redução de 39%.
O tempo total de permanência dos pacientes no pronto-socorro também apresentou melhora significativa. Nos casos classificados como verde, o período médio caiu de 146 para 104 minutos, redução de 29%. Entre os pacientes azuis, o tempo passou de 178 para 125 minutos, uma diminuição de 30%.
Outro indicador importante foi a redução na solicitação de exames. Entre os pacientes classificados como verde, o índice caiu de 27% para 22%. Já nos pacientes azuis, houve redução de 18% para 14%. O mesmo ocorreu com a administração de medicamentos, que apresentou queda de 46% para 32% nos pacientes verdes e de 32% para 20% nos azuis.
Os resultados apontam para maior aderência aos protocolos clínicos, melhor direcionamento dos recursos assistenciais e redução de procedimentos desnecessários, contribuindo para uma assistência mais eficiente e sustentável.
Reflexos positivos
Além dos benefícios para os pacientes de menor complexidade, a reorganização do fluxo gerou reflexos positivos em todo o pronto-socorro. Os pacientes classificados como urgentes também passaram a ser atendidos mais rapidamente. O tempo entre a classificação de risco e a consulta médica para esse grupo caiu de 40 para 29 minutos, uma redução de 28%.
Segundo o coordenador do Pronto-Socorro Adulto do Hospital Municipal, Dr. Gustavo Nacif, os resultados confirmam a eficácia do modelo e demonstram que a reorganização dos processos trouxe ganhos para toda a unidade.
“O Fast Track permitiu direcionar os pacientes para fluxos mais adequados à gravidade de cada caso, reduzindo filas e otimizando a utilização das equipes e dos espaços assistenciais. Com isso, conseguimos diminuir significativamente o tempo de espera dos casos de menor complexidade e, ao mesmo tempo, melhorar o atendimento dos pacientes urgentes”, destaca.
Ganhos indiretos
Os dados também indicam ganhos indiretos importantes para a gestão hospitalar, como redução da lotação das salas de espera, menor ocupação dos consultórios, diminuição da permanência em observação e redução da sobrecarga das equipes.
Além disso, a queda na utilização de exames, medicamentos e materiais assistenciais representa potencial economia de recursos e ampliação da capacidade operacional do pronto-socorro sem necessidade de expansão da estrutura física ou aumento do quadro de profissionais.
O Hospital Municipal é uma unidade da Prefeitura de São José dos Campos gerenciada pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).